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quarta-feira, 11 de março de 2020
quinta-feira, 16 de maio de 2019
A importância de um bom manejo de solo
Um bom produtor rural seja na
pecuária ou na agricultura é aquele que consegue produzir de forma eficiente utilizando
todos os nutrientes existentes no solo e garantindo seu ciclo natural ano após
ano. O solo é um componente básico para grande parte das atividades
agropecuárias e seu manejo e conservação são fundamentais o desenvolvimento de
qualquer cultura.
Nas últimas décadas, no entanto, no
Brasil grandes extensões de áreas apresentam sinais evidentes de degradação e
empobrecimento de seus solos. O uso intensivo, o desmatamento descontrolado, as
ultrapassadas práticas de queimadas além dos fatores climáticos como secas severas
contribuem para esse panorama de degradação.
Por outro lado, a ciência vem
disponibilizando diversas ações de manejo e conservação do solo as quais podem
e devem ser praticadas pelos produtores para garantir o ciclo químico e
biológico de suas terras. Já se sabe atualmente que a conservação dos solos é
muito mais barata e eficiente que sua recuperação depois de degradada. Nessa
linha de raciocínio é importante pensar que o manejo adequado que busque a
conservação do solo garante economia e resulta numa maior produtividade para o
produtor rural, seja ele produtor de commodities, agricultura familiar ou
pecuarista, diga-se “produtor de pasto”.
É fundamental a adoção de
medidas que garantam a preservação e o cenário ideal para isso seria a
propriedade rural estabelecer um programa contínuo de processo produtivo sem
danificar o meio ambiente. Ao contrário do que se pensa num primeiro momento,
isso é possível para qualquer nível de produtor e ainda, é exigido pela
legislação ambiental, o que pede um adendo ao assunto: lembrar que atualmente
quase todas as linhas de crédito disponíveis para a produção agropecuária
incluem exigências ambientais como registro atualizado no CAR – Cadastro Ambiental
Rural, e suas implicações como regularidade das Reservas Legais e da Áreas de
Proteção Permanente – APP’s, como as nascentes, cursos d’água e encostas de
morro por exemplo.
Respeitar as características dos
recursos naturais é fundamental, pois são eles, aliados a práticas de conservação
e manutenção que proporcionam alta produtividade e ainda a garantia da
fertilidade para os ciclos futuros.
Vários são os fatores que podem
degradar o solo como a utilização de técnicas inadequadas de utilização da
terras como o desmatamento, a monocultura repetitiva, os quais trazem
associadamente a possibilidade de erosão, aumento da salinidade do solo e até
processos de desertificação, como já se observa em trechos do Cerrado e da
Caatinga no Brasil. No Brasil o fator mais importante ainda continua sendo a
ausência da prática de conservação tanto do solo quanto da água, uma vez que
durante muito tempo foi prática comum desmatar para formar pastagens, as quais
ficavam sem manejo por décadas, assim como avançar sobre os mananciais.
Fonte: Sitio Vale da Seriema.
Mas é importante saber que há
possibilidade de recuperação para tudo, tecnologia pra isso não falta, e com condições
de aplicação para qualquer produtor em qualquer parte do país, mas que precisam
de conhecimento da área, desprendimento e boa vontade.
Principais técnicas de manejo do solo
O primeiro passo para a execução de
qualquer técnica de manejo e conservação solo é o planejamento, compreendendo
que a utilização de cada técnica conhecida deve ser ajustada ao potencial
produtivo de cada região, propriedade ou mesmo da atividade. Ou seja, para a
escolha da técnica adequada é preciso levar em consideração as propriedades
físicas, químicas e biológicas do solo e sua utilização, as pressões que esse
solo sofrerá.
São várias as técnicas existentes que
podem aumentar e manter a potencialidade produtiva dos solos, mas todas elas envolvendo
o controle de erosão. Algumas das mais simples são o chamado Preparo
convencional no qual a camada do solo é invertida, com a utilização do
arado, processo recomendado apenas quando poucas características na superfície
do solo precisam ser reparadas. Muito parecido com o Preparo mínimo quando
é utilizado um implemento revolvendo minimamente os resíduos deixados no solo
pela rotação de cultura anterior, havendo o mínimo de intervenção para o
próximo cultivo. No Plantio direto as sementes são espalhadas por uma
semeadora diretamente em cima da palhada restante do cultivo anterior, que foi
mantida para proteger o solo e aumentar a matéria orgânica disponível, é um
pouco diferente do Plantio semi direto que mesmo muito semelhante à
técnica anterior, a realização da semeadura na superfície ocorre com poucos
resíduos dos cultivos anteriores.
Portanto, não é prudente protelar a
conservação do solo, os benefícios como visto, são inúmeros e são vantajosos
para todo mundo, seja para o consumidor, o meio ambiente e para o produtor que
é o primeiro a se beneficiar.
Aos primeiros sinais de erosão como
os sulcos de “trieiros” gado por exemplo, de degradação como o aparecimento de
ervas daninha ascenda o alerta, procure um profissional especializado para a
realização de um diagnóstico completo da área que foi afetada, que envolva
todos os possíveis fatores associados. Um bom trato envolve ainda o terraceamento
correto com curvas de nível bem planejadas e bem construídas que vão evitar
grandes enxurradas na área e ainda permitir sua infiltração no solo.
Fonte: Sitio Vale da Seriema.
Uma boa adubação é uma das formas
mais práticas e simples de melhorar as características de um solo e de corrigi-las
quando necessário, o que pode garantir melhor fertilidade do solo, infiltração
e retenção de água e equilíbrio de nutrientes.
A rotação de culturas vem sendo utilizada
com sucesso, sendo um processo que melhora o aproveitamento da fertilidade do
solo pelo aprofundamento diferenciado das raízes e das necessidades diversas de
cada cultura que é inserida no projeto, o que melhora a drenagem, garante diversidade
biológica e facilita o controle de pragas.
A eliminação total e imediata das
queimadas. Mesmo que ainda haja produtores que a consideram de fácil utilização
para limpeza de áreas os prejuízos causados por essa prática são imensos a
começar pela queima da matéria orgânica, diminuição do nitrogênio que vai
diminuir a fertilidade do solo, sem contar no risco de produzir acidentes
sérios.
Por fim, mesmo sendo considerada cara,
a irrigação é uma técnica cada vez mais empregada para a melhoria da qualidade
do plantio, permitindo manter os níveis umidade uniformes durante a maior parte
do ano, o que é importante principalmente em áreas do Centro-Oeste e Nordeste
brasileiros, tão castigados por longos períodos de seca.
Portanto, como explanado acima, existem
diversas técnicas de fácil aplicação para a conservação dos solos, muitas das quais
não demandam nem mesmo grande aporte financeiro, ou mesmo, que podem ser
aplicadas por partes na propriedade, de forma isolada ou em conjunto.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
OS CUIDADOS NO CONTROLE DE MORCEGOS NA PROPRIEDADE
MORCEGOS
Os
morcegos representam aproximadamente 1300 espécies no planeta atualmente
segundo os levantamentos mais recentes. Deste universo apenas três espécies se
alimentam de sangue (hematófagos), todas ocorrentes na América do Sul, porém
apenas uma delas se alimenta regularmente de sangue de outros mamíferos.
Esses
animais têm a capacidade de transmissão de doenças para rebanhos como a raiva,
causando prejuízos ao produtor e sendo essa, talvez, a maior causa de
preconceito da população rural com essa fauna tão importante para o equilíbrio
dos ecossistemas. A raiva afeta diretamente o sistema neurológico do animal atacado
e pode leva-lo à morte, havendo no Brasil uma estimativa de que a perda chegue a
50 mil cabeças por ano no país, números não oficiais devido à falta de
padronização das notificações nas diferentes regiões do território brasileiro.
Além
dos hematófagos, existem no Brasil, morcegos que se alimentam de frutas, outros
que se alimentam de insetos, os que se alimentam de peixes e ainda os que se
alimentar do néctar das flores. Os morcegos são animais fundamentais para o
equilíbrio da natureza, pois auxiliam muito na fauna e flora servindo como
dispersores de sementes, os quais são fundamentais para a regeneração de
florestas, controle de infestações de insetos e outras pragas, polinização
cruzada, tão importante para setores da agricultura comercial. No caso dos
morcegos hematófagos, há uma importância médica uma vez que é utilizado no
estudo de fármacos anticoagulantes e até mesmo de produtos anestésicos.
Portanto,
em propriedades onde há problemas com a ocorrência desses animais é importante
que ação a ser aplicada para prevenir ataques, sejam criteriosas para que não
prejudique os morcegos uma vez que os morcegos em geral exercem um importante
papel na polinização e no controle da população de insetos e seu controle feito
de forma inadequada pode prejudicar várias espécies independente de sua dieta
alimentar. É importante lembrar que assim como qualquer espécie da fauna
silvestre, os morcegos são animais protegidos por Lei, a de Proteção à Fauna
Nº 5.197 de 1967, a qual foi atualizada e
novamente promulgada na Constituição de 1988. Sendo assim, sua
caça, perseguição ou destruição é crime previsto em lei federal, havendo ainda versões
estaduais em quase todas as unidades da federação.
A atividade
de morcegos hematófagos é noturna, e quando acontece durante o dia é um
possível indício de que o animal seja portador do vírus da raiva, mesmo
não sendo um padrão. Caso o produtor se depare com uma situação dessa natureza
deve acionar a vigilância sanitária da sua cidade.
Dicas para evitar ataques de morcegos em bovinos
Nos galpões,
paióis, silos, lugares onde geralmente os morcegos se abrigam, uma medida
simples e eficaz é trocar algumas telhas que normalmente são de cerâmica ou
barro por algumas telhas de material transparente, geralmente de vidro ou
acrílico, as quais são encontradas facilmente em lojas de materiais de
construção. Essa medida permite maior entrada de luz solar no ambiente, o que naturalmente
tende a afugentar os morcegos. Em ambientes onde os animais do rebanho passam a
noite como estábulos, cocheiras, galpões, galinheiros, etc, é interessante
instalar telas finas, daquelas próprias para insetos.
Há no
mercado, com baixo custo e fácil de encontrar, aparelhos que emitem ruídos
sonoros, imperceptíveis aos humanos, mas que interferem diretamente no “radar”
dos morcegos, provocando desconforto e fazendo assim com que eles se afastem.
Mais uma vez, é importante lembrar que caçar, matar ou causar prejuízos à fauna silvestre é crime, punido no Brasil, com multas e diversos outros mecanismos legais, inclusive prisão, mas principalmente salientar a importância desses animais para um ecossistema equilibrado, o que só traz benefícios para uma propriedade produtiva e moderna.
sexta-feira, 24 de março de 2017
Dia de Campo Sobre ILPF
No próximo dia 8 de abril a Embrapa Pecuária Sudeste realiza, localizada em São Carlos - SP, realizará um Dia de Campo sobre
o sistema de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
O público alvo das 150 vagas oferecidas gratuitamente são os produtores rurais, profissionais do setor agropecuário e técnicos em geral. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 3 de abril, através do endereço de email pecuaria-sudeste.eventos@embrapa.br.
Os participantes conhecerão quatro estações para conhecer na prática as tecnologias utilizadas neste sistema de integração, onde os pesquisadores da Unidade vão apresentar temas como o uso de variedades de leguminosas para recuperação de pastagens degradadas, conhecimentos sobre
fertilidade do solo, manejo florestal e produtividade das várias modalidades dos sistemas ILPF.
A Embrapa vem desenvolvendo pesquisas há vários anos com os vários modelos de
integração existentes, os quais foram criados como alternativas para diversificação da produção com sustentabilidade ambiental e garantindo renda o ano todo na propriedade, uma vez que literalmente integra numa mesma área
diversas culturas e criações, como grãos, carne, leite e madeira.
Um dos grandes focos do ILPF é recuperar áreas degradadas por décadas, com recuperação de pastagens com
melhor qualidade, e aumento da produtividade por hectare. Estimativas recentes dão conta de que os
sistemas integrados ocupam hoje no Brasil aproximadamente 11,5 milhões de hectares, o que ajudou inclusive no cumprimento das metas de integração previstas para 2030, dentro da política de sustentabilidade ambiental adotada por vários países.
Informações Gerais
Data: 08 de abril de 2017
Horário: 8:00 às 12:00.
Local: Embrapa Pecuária Sudeste - Rodovia Washington Luiz, km 234, São Carlos - SP
Inscrições: até 03 de abril pelo email pecuaria-sudeste.eventos@embrapa.br
Mais informações: (16) 3411-5689
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Mais um capítulo da novela ambiental do Brasil
Divulgação
dos dados do CAR causa conflito entre CNA e MMA
Matéria publicada no site do
Canal Rural nesta segunda-feira (05/12) traz informações sobre a polêmica
criada com a divulgação da base de dados do Cadastro Ambiental Rural - CAR pelo
Ministério do Meio Ambiente. Segundo a matéria a Confederação de Agricultura e
Pecuária do Brasil – CNA, através de nota a ser enviada a Casa Civil, quer explicações
sobre a base legal para divulgar informações que deveriam ser de uso exclusivo
do governo.
Até mesmo a responsabilização do
ministro José Sarney Filho, titular da pasta (MMA) fará parte da pauta de
reunião entre federações do agronegócio, representantes do governo, entre
outros.
A maior queixa da CNA é de que os
produtores expuseram sua situação ambiental ao governo na intenção de cumprir a
legislação e buscar soluções para os casos em que inadequações e antes de
qualquer discussão, visto que o CAR ainda está em fase de cadastramento,
prorrogado até 2017, os dados já foram divulgados, inclusive com informações de
nomes de fazendas, etc.
Informações divulgadas na matéria
do Canal Rural dão conta de que o ministro José Sarney Filho enviou o caso à
Advocacia Geral da União, uma vez que a divulgação atenderia à Lei de Acesso a
Informação, recomendada inclusive pelo Ministério Público Federal.
A polêmica parece girar em torno
das interpretações, já que se por um lado a divulgação de informações
cadastrais pode trazer prejuízos e insegurança ao produtor/cidadão, já que
aparentemente por erro do sistema, aparecem dados que não deveriam nos arquivos
para download, por outro lado, por serem dados “públicos”, automaticamente não
podem ter restrições de divulgação, segundo especialistas em direito ambiental.
A novela da regularização
ambiental no Brasil, realmente parece não ter um fim. A cada passo dado para frente,
há uns dois retrocedendo, sem que se saiba ainda se por falta de vontade
política de resolver a questão, por incompetência de quem é responsável pelo
assunto ou atribuir-se à notória e comum lentidão das “coisas” no Brasil.
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